memória

Julho 21, 2009

Love, Actually, ou simplesmente, “Simplesmente Amor” [+ imdb], é um filme que divide opiniões. Uns dizem que é muito parado, que é o pior de uma série desastrosa de películas de Richard Curtis. Outros dizem que é uma obra romântica, de bom humor e fantasia. Como eu sou uma pessoa muito inflexível [sério, eu não consigo encostar minhas mãos nos pés com os joelhos rígidos], o que importa aqui no Ócio é somente o que eu acho. E eu acho que é um filme porreta, arretado da peste. Acho muito legal o conceito que eles usam para iniciar e terminar o filme: o sentimento de amor presente num aeroporto. As pessoas se despedem, se encontram, choram, riem, sempre [ou quase semprem] movidas pelo sentimento do amor. Achei esse conceito bem interessante.

Ontem eu cheguei no aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro por volta das 10h40, para pegar um vôo às 11h35. Porém, por culpa do mal tempo só conseguimos entrar no avião por volta das 16h20. Foi um período cansativo, mas legal. Não me importo de ficar no aeroporto. Aproveitei e devorei umas 80 páginas do livro que estou lendo [me dêm um desconto, sou péssimo leitor. 80 páginas é muito para mim], A Sombra do Vento [+ saraiva], do espanhol Carlos Ruiz Zafón. Encontrei com um velho conhecido que certa vez me emprestou e, graças a isso, me fez escutar pela primeira vez os punks californianos do Rancid [+ saraiva]. Vi o apresentador do Furo MTV, que é um cara bem sínico e engraçado, me deu vontade de ir falar com ele que gosto do seu trabalho, mas eu sou  muito tímido pra isso. Encontrei com uma ex-namorada de um primo meu. Enfim, foi cansativo, mas não foi ruim.

Sabe uma coisa chata que acontece às vezes comigo? Eu começo a escrever alguma coisa com uma idéia completamente amarrada, com início, meio e fim. De repente, já no início, eu esqueço completamente o que iria dizer. Vou até mudar o nome dessa postagem de “aeroporto” para “memória”.

Anyway [misturar palavras da língla inglêsa no cotidiano da lígua portuguesa soa meio perôba? Whatever, tô nem aí], já que eu esqueci sobre o que eu iria falar sobre aeroporto…

Vocês, caros amiguinhos, leitores assíduos do Ócio Cultural, a toas e afins, visitantes por intermédio do Google que já leram outras postagens avulsas, já perceberam que muitas vezes eu falo alguma coisa sobre mim puxando um tempo passado como base? Como na postagem passada, em que cito o cabeçalho da Escola de Primeiro Grau Nossa Senhora de Aparecida, de Montanha-ES, muitas vezes eu me movo por um sentimento nostálgico.

Eu sou nostálgico por demais.

Então que eu estava lendo A Sombra do Vento um dia desses aí atrás, e me deparei com um diálogo, na página 184, entre Daniel Sempere e Fermín Romero de Torres, sobre as lembranças de Fermín:

D. Sente falta deles?
F. Da Famíla?
Fermín deu de ombros, tomado por um sorriso nostálgico.
F. Como vou saber? Poucas coisas enganam mais do que as lembranças…

Lembrei de uma certa aula da faculdade de Publicidade, em que o professor garotão, C.R. [que andando de Caster Board [+ you tube] no calçadão de Camburi, parece um personagem perdido de Juba e Lula: Armação Ilimitada], nos falou algo bem interessante que eu nunca tinha parado pra pensar: as pessoas costumam dizer que a comida da mãe é a melhor comida do mundo, porém muitas vezes, todo este sabor se dá devido a um ingrediente chamado lembranças nostálgicas. Às vezes a comida da sua mãe não era tão boa, mas a época em que você chagava da escola, ia assistir o resto do programa infantil da Globo, depois almoçava, fazia o seu dever de casa, assistia ‘Que Rei Sou Eu’ em ‘Vale a Pena Ver de Novo’, lanchava assistindo ‘Eu Quero Ser Grande’ na ‘Sessão da Tarde’, depois se encontrava com a molecada da rua pra brincar de polícia e ladrão, pic-pega, pic-cola, pic-bandeira, pic-esconde, até sua mãe te chamar pra ir tomar banho e jantar, terminando o fim do dia na frente da TV assistindo o gordo burro do Jaime Palilo em Carrossel. Achei uma idéia bem plausível e por isso concordo com o personagem Fermín, quando ele alerta sobre os enganos que as lembranças causam.

Né?
Então.

Já que eu falei de aeroporto e nostalgia, quando eu era pequeno [fazia 2ª ou 3ª série] e morava lá em João Neiva, eu ganhei um aeroporto de brinquedo [= a este]. Como eu brincava muito intensamente com meus brinquedos, certa vez eu coloquei um rojão na torre de comando, para brincar de terrorismo. E foi assim que eu me diverti com ele pela última vez.

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getting rust

Julho 17, 2009

As vezes eu acho que eu deveria dormir durante um mês inteiro. Direto. Poderia aproveitar a segunda metade deste inverno para fazer isso. De repente eu acordaria com saudade das coisas da vida.

Anyway…

Há duas noites atrás, eu dormi no sofá cama que fica na sala de estar. Acordei junto com o sol, exatamente às 6h27 do meu relógio de pulso que marca 5 minutos adiantados. Levantei, peguei a minha câmera fotográfica [que estava na mesinha de vidro que fica ao lado do sofá] e fui tirar uma foto da claridade que estava vindo por detrás dos prédios da Sena.

Guardei a câmera e fechei o black out no intuito de continuar a dormir. Porém, fiquei no mínimo  uns 10 minutos de olhos abertos pensando em algo que eu tenho que dar um pouco mais de importância: disciplina.

Em termos léxicos, eu gosto da palavra disciplina. Tive um início de relacionamento conturbado com ela, pois logo no primário, quando eu obrigatoriamente escrevia o cabeçalho no caderno ao início de cada aula…

“Montanha, 10 de Maio de 1991.
Escola de primeiro grau Nossa Senhora de Aparecida.
Série: 1ª
Disciplina: Português.”

…eu me perguntava por que diabos não substituíamos a palavra “disciplina” pela “matéria”, que era muito mais simples, mais usada.

Em termos semânticos, “disciplina” tem maior relevância que “matéria”. Coincidentemente eu acabei entrando no blog da minha amiga Juliana Almeida [+ Enferrujamento] e ela falava exatamente o que eu gostaria de dizer aqui.

Eu quero me disciplinar.

É difícil começar a ter disciplina e tirar todos os planos do post it amarelinho que fica pregado na escrivaninha, ou do arquivo de note pad salvado no desktop do computador, intitulado: to do.

É difícil lutar contra as forças vilãs da inércia e do “ah! depois eu faço isso”. Acordar cedo? Pra quê? eu não estou trabalhando mesmo. Dormir cedo? Por quê? Eu não tenho que acordar cedo. Praticar um esporte? Mas antes eu tenho que entrar no messenger no modo offline para ver quem está online [e não falar com ninguém], tenho que checar o Gmail, o Orkut, o Fotolog, o blog, o G1, o Facebook, e agora, a mais nova sensação da internet: o Twitter [sério: o Twitter é um saco]. Depois de cuidar de toda essa second life básica [que bom que pelo menos este S.L. não vingou], o que mesmo eu tinha pra fazer? A vida principal, o palpável, acaba ficando de lado. Que diabos aconteceu?

Não vejo problema algum em checar toda a virtualidade que nos consome. Mas isso deveria ser feito de forma mais dosada. De forma mais produtiva. A internet tem muito conteúdo bom. Conteúdo que nos enriquece, eu diria. Mas temos que sair da frente dela para digerir toda a informação que encontramos lá [aqui, na verdade]. Temos que nos cansar fisicamente, não só mentalmente. Temos que nos empenhar em melhorar nossos currículos, não os nossos profiles. Temos que ficar puto com um amigo por causa de uma jogada dura no futebol, não por conta de um spam maldito que ele mandou pelo e-mail.

Acho que o meu maior problema está na falta do que fazer. Por estar formado e sem trabalho, a minha única obrigação diária, pelo menos até setembro, é o meu curso noturno de web design. Fora isso, acordo na hora que quero, almoço na hora que quero e durmo na hora que quero. Me olho no espelho e, mesmo sendo um cara de 24 anos [piadinhas abaixo] sem uma barba apresentável, me vejo como aqueles homens de barba malfeita, cheio de olheiras e com ressaca da noite anterior. Porém a ressaca na maioria das vezes é moral.

Não acredito que eu deva ser escravo de uma rotina sem motivos aparentes. Só o básico. Somente transformar os momentos de acordar tarde de ressaca, ou aquela vodka antes de dormir em ocasiões menos frequentes. Não quero me privar das casualidades, mas não é legal viver à mercê delas. Aliás, Ferris Buller matou somente 9 aulas no ano letivo em que se passa o filme [e olha que isso foi nos anos 80].

Eu acredito que a disciplina seja algo essencial para o sucesso de qualquer pessoa em qualquer ramo, seja profissional, pessoal, sentimental, whatever … não é tudo, mas é algo essencial. É algo a ser conquistado com esforço pessoal. E eu realmente estou disposto a me esforçar.

Fica aqui registrada aqui a minha vontade.

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