getting rust

Julho 17, 2009

As vezes eu acho que eu deveria dormir durante um mês inteiro. Direto. Poderia aproveitar a segunda metade deste inverno para fazer isso. De repente eu acordaria com saudade das coisas da vida.

Anyway…

Há duas noites atrás, eu dormi no sofá cama que fica na sala de estar. Acordei junto com o sol, exatamente às 6h27 do meu relógio de pulso que marca 5 minutos adiantados. Levantei, peguei a minha câmera fotográfica [que estava na mesinha de vidro que fica ao lado do sofá] e fui tirar uma foto da claridade que estava vindo por detrás dos prédios da Sena.

Guardei a câmera e fechei o black out no intuito de continuar a dormir. Porém, fiquei no mínimo  uns 10 minutos de olhos abertos pensando em algo que eu tenho que dar um pouco mais de importância: disciplina.

Em termos léxicos, eu gosto da palavra disciplina. Tive um início de relacionamento conturbado com ela, pois logo no primário, quando eu obrigatoriamente escrevia o cabeçalho no caderno ao início de cada aula…

“Montanha, 10 de Maio de 1991.
Escola de primeiro grau Nossa Senhora de Aparecida.
Série: 1ª
Disciplina: Português.”

…eu me perguntava por que diabos não substituíamos a palavra “disciplina” pela “matéria”, que era muito mais simples, mais usada.

Em termos semânticos, “disciplina” tem maior relevância que “matéria”. Coincidentemente eu acabei entrando no blog da minha amiga Juliana Almeida [+ Enferrujamento] e ela falava exatamente o que eu gostaria de dizer aqui.

Eu quero me disciplinar.

É difícil começar a ter disciplina e tirar todos os planos do post it amarelinho que fica pregado na escrivaninha, ou do arquivo de note pad salvado no desktop do computador, intitulado: to do.

É difícil lutar contra as forças vilãs da inércia e do “ah! depois eu faço isso”. Acordar cedo? Pra quê? eu não estou trabalhando mesmo. Dormir cedo? Por quê? Eu não tenho que acordar cedo. Praticar um esporte? Mas antes eu tenho que entrar no messenger no modo offline para ver quem está online [e não falar com ninguém], tenho que checar o Gmail, o Orkut, o Fotolog, o blog, o G1, o Facebook, e agora, a mais nova sensação da internet: o Twitter [sério: o Twitter é um saco]. Depois de cuidar de toda essa second life básica [que bom que pelo menos este S.L. não vingou], o que mesmo eu tinha pra fazer? A vida principal, o palpável, acaba ficando de lado. Que diabos aconteceu?

Não vejo problema algum em checar toda a virtualidade que nos consome. Mas isso deveria ser feito de forma mais dosada. De forma mais produtiva. A internet tem muito conteúdo bom. Conteúdo que nos enriquece, eu diria. Mas temos que sair da frente dela para digerir toda a informação que encontramos lá [aqui, na verdade]. Temos que nos cansar fisicamente, não só mentalmente. Temos que nos empenhar em melhorar nossos currículos, não os nossos profiles. Temos que ficar puto com um amigo por causa de uma jogada dura no futebol, não por conta de um spam maldito que ele mandou pelo e-mail.

Acho que o meu maior problema está na falta do que fazer. Por estar formado e sem trabalho, a minha única obrigação diária, pelo menos até setembro, é o meu curso noturno de web design. Fora isso, acordo na hora que quero, almoço na hora que quero e durmo na hora que quero. Me olho no espelho e, mesmo sendo um cara de 24 anos [piadinhas abaixo] sem uma barba apresentável, me vejo como aqueles homens de barba malfeita, cheio de olheiras e com ressaca da noite anterior. Porém a ressaca na maioria das vezes é moral.

Não acredito que eu deva ser escravo de uma rotina sem motivos aparentes. Só o básico. Somente transformar os momentos de acordar tarde de ressaca, ou aquela vodka antes de dormir em ocasiões menos frequentes. Não quero me privar das casualidades, mas não é legal viver à mercê delas. Aliás, Ferris Buller matou somente 9 aulas no ano letivo em que se passa o filme [e olha que isso foi nos anos 80].

Eu acredito que a disciplina seja algo essencial para o sucesso de qualquer pessoa em qualquer ramo, seja profissional, pessoal, sentimental, whatever … não é tudo, mas é algo essencial. É algo a ser conquistado com esforço pessoal. E eu realmente estou disposto a me esforçar.

Fica aqui registrada aqui a minha vontade.

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4 Responses to “getting rust”

  1. juliana. Says:

    A história é não enferrujar.

    Como eu já falei, queria muito prometer alguma coisa pra mim e cumprir de verdade. Pq começar, eu sempre começo. O negocio é que sempre levo menos a sério do que deveria.

    E minha meta agora é essa. Terminar!

  2. Julia Z. Says:

    seu melhor texto e vc tirou muitas palavras da minha boca.
    concordo em numero e grau com os paragrafos acima e dou apoio total a questao de disciplina! eh oq eu to tentando fazer ha uns 3 meses (gracas a mim mesma to conseguindo alguns resultados). logico que tem vezes que a gente precisa e quer sair da linha e acordar de ressaca, mas isso nao tem que ser rotineiro, mas sim, casual.

    bien, bonne chance!!
    :*

  3. juju Says:

    esse post era tudo que eu precisava de ler!
    e também preciso de uma disciplina nos estudos. URGENTE!

  4. jubs Says:

    ahhh disciplina coisa nenhuuma!
    vamo pixar muros e fazer criancinhas cheirarem maconha e fumarem cocaína! vamo acordar meia noite e dormir meio dia! vamo ligar pra todos nossos ex chefes e xingar a mãe deles! vamo fazer isso aqui o infeeerno caaara! faz isso por miiim, cara!


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